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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Com o fim da turbulência política, setor energético espera a consolidação do mercado livre no país

Escrito por: Alessandro Padin - Atendimento e Social Media

As últimas alterações no cenário governamental podem marcar o fim de um longo processo de turbulência política e essa expectativa já está mudando o ânimo do setor elétrico no país. “Esperamos que algumas medidas que encaminham o segmento para um cenário positivo avancem, agora que o Congresso Nacional pode retomar o seu ritmo. Uma delas é a análise e votação do PL 1917/2015, que propõe ajustes no modelo setorial, possibilitando a consolidação do mercado livre de energia”. Esta é a opinião do diretor técnico da Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia), Alexandre Lopes, um dos palestrantes da Plenária de Abertura da 14a Latin American Utility Week (LAUW), principal encontro de utilities da América Latina, que acontece até quinta (15) no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

O evento, que é uma das referências de networking e intercâmbio de melhores práticas no setor de energia, reúne mais de 45 marcas brasileiras e internacionais que apresentam as tendências de mercado e os avanços tecnológicos voltados para as utilities em todo o mundo.

Como mencionou Sergio Jardim, diretor da Clarion Events, organizadora da LAUW, “existem grandes oportunidades de investimentos no setor de energia e o mercado deve estar preparado tecnologicamente para atender a essa demanda. Percebemos nesta edição da LAUW uma preocupação na busca pela excelência da prestação de serviços em todos os segmentos desse mercado e uma rica troca de experiências que mostram a importância da inovação tecnológica”.

Jardim comentou também que as empresas do setor olham com atenção para as mudanças previstas no cenário nacional, como a proposta de, a partir de 2022, os consumidores escolherem os fornecedores de energia, além de permitir que o mercado livre participe dos leilões de expansão. “Os expositores da LAUW estão atentos e antecipam quais impactos as medidas podem ter para a consolidação de um mercado livre no país”, completou.

Presidente da Comerc Energia, Cristopher Vlavianos acredita no crescimento do mercado livre, mas com cautela. “Os desafios para esta expansão estão na financiabilidade, pois o setor não tem condições de fazer isso sozinho. O crescimento do mercado livre tem que ser sustentável”, disse durante a abertura da LAUW. Entre os países da América Latina, o Brasil é o que mais impõe restrições para entrada dos consumidores no mercado livre, segundo levantamento da Abraceel.

Abradee espera que programa de pesquisa e desenvolvimento ganhe impulso
A perspectiva de um período de calmaria política também anima Nelson Leite, presidente da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia), que participou da plenária de abertura da 14a Latin American Utility Week (LAUW). Ele espera que seja retomado o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) que é regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O programa tem o objetivo de estimular as empresas prestadoras de serviço público nas áreas de distribuição, transmissão e geração de energia elétrica a aplicar, anualmente, um percentual mínimo da receita operacional nesta área.

“Tudo ficou parado por conta da crise política”, ressaltou Nelson Leite. “O programa é uma oportunidade histórica para rever o modelo de governança do setor elétrico e de sugerir mudanças ao governo. Além disso, fomentar a atração de investimentos no segmento e permitir a ampliação do mercado livre. O país ganha, portanto, um modelo atraente com regras estáveis”.

“O Brasil é um dos maiores mercados de energia do mundo”, afirma diretora da OPIC
O Brasil apresenta grandes perspectivas de investimento no setor de energia e tem potencial para atrair investimentos internacionais. A opinião é da norte-americana Lynn Tabernacki,  diretora do Grupo de Energias Limpas e Renováveis da OPIC (Overseas Private Investment Corporation), instituição financeira para o desenvolvimento, mantida pelo governo dos EUA. Ela participou do primeiro dia de conferências da 14a Latin American Utility Week (LAUW).

Lynn argumenta que para conquistar o interesse internacional, o governo brasileiro precisa ser pragmático e oferecer previsibilidade para o mercado. “Todos os projetos precisam de solidez, com regime regulatório previsível e facilidade para empresas estrangeiras atuarem no país. Além disso, a estabilidade política é fundamental para atrair investimentos, pois a economia está diretamente ligada a isso. Vocês têm ótimos atributos para implantar projetos e vi aqui na LAUW que caminham para um avanço regulatório no setor”, ressalta.

Ela vai além: “O Brasil é um dos maiores mercados de energia do mundo. Vocês têm 99% do país com acesso à energia. Isso é incrível. Eu conheço nações em que o índice não passa de 5%”. A OPIC investiu cerca de US$ 1 bilhão nos últimos cinco anos em 85 projetos de energia renovável e limpa ao redor do mundo.

Para presidente da UTCAL, empresas brasileiras têm tecnologia competitiva
As empresas brasileiras do setor de energia têm excelência em tecnologia, com capacidade para atingir patamares mundiais de qualidade, mas sofrem com as dificuldades financeiras, observou o presidente da UTCAL (Utilities Telecom & Technology Council Latin America), Dymitr Wajsman. Ele participou do primeiro dia de plenárias da 14a Latin American Utility Week (LAUW). “Vivemos em uma aldeia global e as variações cambiais dificultam qualquer business plan”, disse.

Wajsman defende que o setor pode evoluir com ações integradas de políticas públicas e clareza na regulação. “Passamos por um período político paralisante e agora precisamos andar em frente. Estamos em uma crise real e precisamos de estratégias e medidas regulatórias claras para avançar”, destacou. Sobre a LAUW, o presidente da UTCAL disse: “É um evento importante que permite ao corpo técnico das empresas o contato com a última palavra em tecnologia, além de promover o debate nos seminários”.

Feira apresenta inovação com a presença de 45 marcas expositoras
Um dos destaques da 14a Latin American Utility Week (LAUW) é a área de exposição com a presença de cerca de 45 marcas. São fornecedores de equipamentos, tecnologias e soluções para automação de redes, geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia, medição de energia, água e gás e smart grids reunindo soluções inovadoras para o mercado da América Latina.

Um exemplo é a Landis+Gyr, que apresenta na LAUW os medidores de linha residencial e industrial/comercial que trazem inovadoras opções de comunicação para integração de redes inteligentes. Quem também aposta em novidades, é a Friendcom, que apresenta as soluções da rede CellMesh, amplamente usadas em ambientes mais severos no mundo inteiro, com a experiência de mais de 32 milhões de pontos implantados. A CellMesh é a autoformação de rede inteligente de sensores sem fio. Pelo seu alto desempenho na comunicação bi-direcional no AMI, é comprovada ser uma escolha madura e de baixo custo-benefício para Neighborhood Area Network (NAN).

E para fechar o primeiro dia de evento, a Clarion Events, organizadora da Latin American Utility Week, ofereceu aos presentes um coquetel. Hoje, quarta-feira, 14, a feira tem extensa programação de palestras e os lançamentos das mais de 45 marcas que participam do evento. Além disso, acontecem as Rodadas de Negócios, entre expositores e compradores das utilities. Entre as empresas confirmadas estão a Sabesp, CPFL, , EDP, ENERPEIXE e TRADENER, entre outras.

Na quinta-feira, último dia do evento, está programada a entrega do Latin American Utility Week Awards, premiação que destaca os mais inovadores trabalhos nas categorias: Metering, Smart Grids, Energy, Hydro e Smart Systems.


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